Guia de raças · Terrier

Jack Russell Terrier

Cinco quilos de músculo, opinião e mola — o cão que nunca leu a parte sobre ser de colo.

O Jack Russell foi criado no século XIX para entrar numa toca atrás de uma raposa e não desistir, e nada nele foi suavizado desde então. É pequeno, rápido, corajoso ao ponto da imprudência e tem uma cabeça que não descansa: se ninguém lhe der um problema para resolver, arranja um. Quem espera um cão pequeno e sossegado de apartamento leva um choque; quem procura um parceiro de corrida, de agility e de jogos que duram até à exaustão dificilmente encontra melhor neste tamanho.

Jack Russell Terrier adulto — terrier, porte pequeno
Foto: Plank · CC BY 3.0 (Wikimedia Commons)
OrigemBandeira de InglaterraInglaterra
PortePequeno
Altura25–30 cm
Peso5–6 kg
Esperança de vida13–16 anos
PeloLiso, quebrado ou duro · branco predominante, com manchas

Como é viver com um Jack Russell Terrier

Dentro de casa, um Jack Russell não passa despercebido. Cumprimenta as pessoas aos saltos, patrulha a janela, comenta o carteiro e transforma um pau de canela num troféu. É afetuoso com a sua gente e dorme colado a ela, mas não é um cão de colo passivo: quer estar envolvido em tudo o que se passa. Com estranhos costuma ser confiante e sociável; com outros cães depende muito da socialização, e há muitos machos que não deixam passar uma provocação.

Com crianças a história é mista e convém dizê-lo sem rodeios. É um excelente companheiro de jogo para miúdos com idade para correr e para respeitar regras, mas tem pouca tolerância a mãos que apertam, a orelhas que se puxam e a sonos interrompidos — e responde depressa, com a boca, quando se sente injustiçado. Em casas com crianças muito pequenas exige supervisão constante e um sítio só dele onde ninguém lhe toque.

A adolescência, entre os seis e os dezoito meses, testa qualquer tutor. É a fase em que descobre que ladrar afasta o gato do vizinho, que escavar dá um buraco excelente e que sair pelo portão é a melhor brincadeira do dia. Precisa de alguém consistente, com sentido de humor e disposto a treinar todos os dias — não de um tutor duro, mas de um que não ceda por cansaço. Como primeiro cão, é uma escolha que dá muito trabalho.

O que um Jack Russell Terrier precisa todos os dias

Exercício. Cerca de duas horas repartidas pelo dia, e não são duas horas de passeio lento. Precisa de correr a sério, de perseguir, de saltar e de escavar num sítio autorizado — uma caixa de areia no quintal poupa os canteiros. Agility, flyball, mantrailing e treino de truques dão-lhe o que a volta ao quarteirão nunca dará. Um Jack Russell subexercitado é o cão que os vizinhos ouvem.

Treino. É esperto e aprende num instante, mas não trabalha por vontade de agradar: trabalha porque vale a pena. Recompensas boas, sessões curtas e regras que não mudam de dia para dia. As duas prioridades são o chamamento e o autocontrolo — parar antes de atravessar a rua, ignorar o gato, largar o que apanhou. Com instinto de presa alto, o chamamento nunca fica garantido junto a estradas ou a animais pequenos.

Comida. Come bem e queima muito, mas engorda se as porções acompanharem o entusiasmo. Num cão de cinco quilos, cem gramas a mais são muito peso; num cão que salta o dia inteiro, o excesso paga-se nos joelhos e na coluna. Pesar a ração, usar parte da comida do dia como recompensa de treino e não ceder aos restos da mesa mantêm a linha e as articulações.

Pelo e higiene. Manutenção baixa, mas não nula: mesmo o pelo curto larga, e larga pelo branco e espetado que se agarra ao tecido. Escovagem semanal com luva de borracha e banho raro. As variedades de pelo duro ou quebrado ganham com stripping manual duas vezes por ano; tosquiar à máquina estraga a textura. Unhas curtas e dentes escovados, que os pequenos acumulam tártaro cedo.

Saúde. É uma raça robusta, que chega com frequência aos catorze ou quinze anos, mas tem problemas hereditários bem identificados: luxação da rótula, doença de Legg-Calvé-Perthes, luxação primária do cristalino e ataxia hereditária, todas com teste genético ou avaliação clínica disponível. A surdez congénita associada ao manto branco também existe e deteta-se com o teste BAER. Peça ao criador os testes dos pais: nesta raça existem, são acessíveis e evitam desgostos.

Com quem combina o Jack Russell Terrier

Combina bem com

  • Pessoas ativas que correm, caminham ou fazem desporto canino
  • Tutores com experiência e vontade de treinar todos os dias
  • Famílias com crianças mais crescidas, capazes de respeitar o cão
  • Casas com quintal bem vedado e um sítio onde possa escavar

Pensa duas vezes se

  • Quem quer um cão pequeno e calmo para viver ao colo
  • Casas vazias o dia inteiro, com o cão sozinho e sem ocupação
  • Apartamento com vizinhos sensíveis e passeios de dez minutos
  • Quem tem coelhos, hamsters ou gatos tímidos dentro de casa

Antes de dizer sim

O tamanho engana

Cabe num apartamento, mas não vive como um cão de apartamento. Precisa de tanto exercício e treino como muitos cães grandes e, sem isso, torna-se ladrador, escavador e francamente difícil de aturar.

Instinto de presa

Foi feito para perseguir e matar animais pequenos, e isso não se educa: gere-se. Vedação a sério, trela em zonas com gatos ou coelhos e apresentações muito cuidadosas aos outros animais da casa.

Coragem a mais

Enfrenta cães dez vezes maiores sem hesitar e atira-se a buracos, a muros e a estradas. Muitos acidentes desta raça acontecem em segundos de distração do tutor, num sítio sem vedação.

Perguntas frequentes sobre o Jack Russell Terrier

O Jack Russell é bom para apartamento?

Pode viver num apartamento, mas só com duas saídas longas e ativas por dia e trabalho mental dentro de casa. O tamanho ajuda; a energia e a tendência para ladrar não. Sem isso, um Jack Russell num terceiro andar torna-se depressa um problema com os vizinhos e com a mobília.

O Jack Russell ladra muito?

Ladra bastante. Avisa de tudo o que passa na rua, comenta campainhas e protesta quando está aborrecido ou sozinho. Com exercício suficiente, treino do «basta» e uma janela onde não passe o dia a vigiar movimento, reduz-se muito, mas continua a ser um cão vocal.

O Jack Russell é bom com crianças?

É bom com crianças em idade escolar que saibam respeitá-lo e que gostem de correr. Com bebés e crianças muito pequenas exige supervisão permanente: tolera mal ser apertado ou acordado e avisa com a boca. Nunca deixar um cão e uma criança pequena sozinhos na mesma divisão.

Quanto exercício precisa um Jack Russell?

Cerca de duas horas por dia, com corrida verdadeira, jogos de perseguição e desafios mentais — não bastam passeios curtos. Vinte minutos de treino de truques ou de faro cansam-no mais do que meia hora de passeio calmo. A energia que não sai pelas patas sai pelos dentes.

O Jack Russell fica bem sozinho?

Fica mal. É um cão social e ocupado que, sozinho muitas horas, ladra, escava e destrói. Suporta melhor se sair antes, se tiver brinquedos de comida e se não ficar com vista para a rua, mas jornadas de oito horas todos os dias não são compatíveis com esta raça.

O Jack Russell é bom para primeiro cão?

Raramente. É inteligente e teimoso, tem instinto de presa alto e testa limites durante toda a adolescência, uma combinação que castiga quem hesita. Quem tem um primeiro cão e quer mesmo um terrier deve contar com aulas de treino desde as primeiras semanas em casa.

Já tem um Jack Russell Terrier?

Onde ele pode voltar a ser cão.

No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Jack Russell Terrier tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.

Há Jack Russells e cães com este perfil à espera em abrigos e associações. Um cão adulto tem o temperamento à vista — antes de comprar, vale a pena perguntar.

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