Guia de raças · Spitz e tipo primitivo

Akita

Fala pouco, decide muito e escolhe uma família para a vida — não é um cão que se conquiste com guloseimas.

O Akita é o cão de Hachikō, e a história daquele cão que continuou a esperar na estação diz mais sobre a raça do que qualquer padrão: lealdade absoluta a poucas pessoas e uma indiferença educada por todas as outras. É grande, silencioso, extraordinariamente limpo dentro de casa e quase gato na forma como pede — ou não pede — atenção. Também é territorial, teimoso, com instinto de presa alto e frequentemente incapaz de tolerar outro cão do mesmo sexo. É uma raça magnífica e é, sem rodeios, uma raça exigente.

Akita adulto — spitz e tipo primitivo, porte grande
Foto: Azurfrog · CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons)
OrigemBandeira de JapãoJapão
PorteGrande
Altura58–70 cm
Peso32–45 kg
Esperança de vida10–13 anos
PeloDuplo, exterior duro e subpelo denso · vermelho, sésamo, tigrado ou branco

Como é viver com um Akita

Em casa, um Akita adulto é dos cães mais discretos que existem. Não anda atrás das pessoas, não ladra sem motivo, escolhe um canto com vista e observa. É afetuoso com a sua gente de forma contida, e a maioria aprende a fazer as necessidades fora de casa quase sem ser ensinada: é uma raça de hábitos limpos e de asseio quase felino. Com estranhos é reservado, nem simpático nem hostil, desde que estes não entrem no seu espaço sem convite.

Com outros cães está o principal problema, e não vale a pena disfarçá-lo. Muitos Akitas não toleram cães do mesmo sexo e reagem com uma intensidade que não dá aviso prolongado: passa de tenso a sério em segundos. Parques caninos e encontros improvisados à trela não são cenários realistas para esta raça. Com gatos e animais pequenos, o instinto de presa também é elevado e depende muito da convivência desde as primeiras semanas.

Com as crianças da própria família pode ser um cão excelente, calmo e tolerante, mas exige regras claras e supervisão: não gosta de ser apertado, é forte, e os seus sinais de desconforto são subtis e fáceis de ignorar. É também um cão que responde mal a métodos duros — a repreensão sistemática não o torna obediente, torna-o distante. Aprende depressa e depois decide se vale a pena obedecer, o que desespera quem espera a prontidão de um Pastor Alemão.

O que um Akita precisa todos os dias

Exercício. Uma hora a hora e meia por dia, em passeios com ritmo e com tempo para cheirar, sem grande necessidade de correria. É um cão resistente mas não hiperativo, e um Akita adulto passa boa parte do dia a dormir. Sempre à trela em espaço público: o instinto de presa e a intolerância a outros cães tornam a liberdade sem vedação uma aposta que não compensa.

Socialização e treino. Socialização intensa e cuidadosamente positiva entre as três e as dezasseis semanas, e depois manutenção para a vida inteira, com encontros escolhidos a dedo em vez da confusão de um parque. O treino faz-se com calma, reforço positivo, sessões curtas e um tutor que não repete ordens nem entra em braço-de-ferro. Andar à trela sem puxar, o «larga» e a tolerância ao manuseamento valem mais do que qualquer truque.

Comida. Come proporcionalmente pouco para o tamanho e muitos Akitas são exigentes à refeição. Duas refeições diárias, com descanso antes e depois pelo risco de torção gástrica, e sem espectadores por perto: é uma raça em que a defesa do comedouro aparece com facilidade, sobretudo com crianças e com outros animais da casa. Manter o cão magro protege-lhe as ancas para toda a vida.

Pelo. Pelo duplo de spitz: durante a maior parte do ano bastam uma ou duas escovagens por semana, mas duas vezes por ano larga o subpelo em blocos e a casa fica irreconhecível durante três semanas. Nessa fase é escovagem diária, com rastelo e muita paciência. Não se tosquia nunca: o subpelo é o que o protege do calor de julho tanto como do frio de janeiro.

Saúde. Peça ao criador as radiografias de displasia da anca e do cotovelo dos pais e o exame oftalmológico para atrofia progressiva da retina. A raça tem ainda predisposição conhecida para doenças autoimunes — sebadenite, síndrome uveodermatológico, pênfigo —, para hipotiroidismo e para torção gástrica. Convém também recordar ao veterinário que se trata de uma raça japonesa: há sensibilidades documentadas a alguns fármacos e anestésicos que merecem uma conversa antes de qualquer cirurgia.

Com quem combina o Akita

Combina bem com

  • Tutores experientes e calmos, que respeitam a independência do cão
  • Casas com um só cão, ou com cães de sexos diferentes
  • Quem quer um guardião discreto, limpo e pouco ladrador
  • Famílias com rotina estável e regras iguais para toda a gente

Pensa duas vezes se

  • Quem tem um primeiro cão e conta aprender pelo caminho
  • Casas com vários cães, sobretudo do mesmo sexo
  • Quem sonha com parques caninos e cães a brincar soltos
  • Apartamento pequeno com crianças pequenas e visitas constantes

Antes de dizer sim

Com outros cães

A intolerância a cães do mesmo sexo é característica da raça e não desaparece com socialização, embora esta a atenue. Passeios à trela, encontros escolhidos e nada de parques caninos são a norma, não a exceção.

Independência a sério

Aprende depressa e obedece quando entende que faz sentido. Quem precisa de um cão que responda sempre à primeira, sem discussão, vai passar anos frustrado com um Akita em casa.

A muda de pelo

Duas vezes por ano larga subpelo em quantidades difíceis de descrever a quem nunca viu. Durante essas semanas há pelo em todo o lado, e escovar todos os dias deixa de ser opcional.

Perguntas frequentes sobre o Akita

O Akita é agressivo?

Não é um cão agressivo com pessoas quando bem criado e socializado: é reservado e territorial. O problema real é com outros cães, sobretudo do mesmo sexo, onde a intolerância é característica da raça. Em Portugal não consta da lista legal de raças potencialmente perigosas, mas exige gestão séria.

O Akita é bom para primeiro cão?

Não. Junta independência, teimosia, força, instinto de presa e intolerância a outros cães: cada uma gerível por si, todas juntas exigem experiência. Quem nunca treinou um cão e se apaixona pela raça deve começar por conhecer adultos e falar com um treinador antes de escolher um cachorro.

O Akita ladra muito?

Ladra pouco, e é uma das razões pelas quais funciona bem dentro de casa. Reserva a voz para o que considera importante e comunica sobretudo com resmungos, grunhidos e sons estranhos que os tutores aprendem a interpretar. Silêncio, porém, não significa ausência de vigilância.

O Akita é bom com crianças?

Com as crianças da própria família pode ser excelente, calmo e protetor, mas nunca é um cão para deixar sozinho com elas. Tolera mal ser apertado, avisa de forma subtil e é forte demais para um erro sair barato. Regras claras dos dois lados e supervisão de um adulto, sempre.

O Akita larga muito pelo?

Larga pouco durante a maior parte do ano e larga muitíssimo duas vezes por ano, quando muda o subpelo. Nessas semanas sai pelo em blocos e nem escovar todos os dias evita que fique por toda a casa. Fora das mudas, uma ou duas escovagens semanais chegam bem.

Qual a diferença entre o Akita e o Akita Americano?

São duas raças distintas desde 1999. O Akita japonês é mais leve, de cabeça triangular, olhos pequenos e apenas quatro cores admitidas, sempre com urajiro branco no focinho e no peito. O Akita Americano é maior, mais robusto, de cabeça larga, e aceita praticamente todas as cores, incluindo máscara preta.

Já tem um Akita?

Onde ele pode voltar a ser cão.

No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Akita tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.

Há Akitas e cães com este perfil à espera em abrigos e associações. Um cão adulto tem o temperamento à vista — antes de comprar, vale a pena perguntar.

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