Guia de raças · Lebréu (galgo)

Whippet

Trinta segundos a toda a velocidade e depois catorze horas debaixo de uma manta.

O Whippet é o segredo mal guardado de quem vive em apartamento. Foi criado no norte de Inglaterra para correr atrás de lebres e, mais tarde, em pistas de corrida operárias, o que lhe deu um corpo de atleta e uma forma de gastar energia em rajadas curtíssimas. O resto do dia passa-o a dormir, quase sempre em cima de alguém. Não ladra, não cheira a cão, quase não larga pelo e é meigo até ao exagero. Em troca pede uma manta, uma casa sem gritos e um sítio seguro para correr solto.

Whippet adulto — lebréu (galgo), porte médio
Foto: Canarian · CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons)
OrigemBandeira de InglaterraInglaterra
PorteMédio
Altura44–51 cm
Peso9–15 kg
Esperança de vida12–15 anos
PeloCurto e fino · pele delicada, praticamente não larga

Como é viver com um Whippet

É um cão silencioso e discreto dentro de casa, ao ponto de haver dias em que o tutor tem de o procurar debaixo dos cobertores. Com a família é extremamente afetuoso e físico: encosta-se, dorme colado e senta-se ao colo com treze quilos como se fosse um cão de regaço. Com crianças é paciente e nada reativo, e com visitas é simpático mas contido. De cão de guarda não tem rigorosamente nada — se alguém entrar em casa, é capaz de abanar a cauda.

O cachorro e o adolescente são mais desastrados do que se imagina: pernas compridas, articulações finas e uma vontade de correr que não conhece travões, o que dá quedas e entorses em chão escorregadio. Por volta dos dois anos instala-se o Whippet adulto que toda a gente descreve — dez a vinte minutos de loucura, um sprint que corta a respiração a quem vê, e depois o resto do dia enrolado no sítio mais quente da casa.

Precisa de um tutor calmo. É um cão sensível a vozes altas e a correções duras, e fecha-se quando é pressionado; aprende bem com prémios e com paciência, e mal com autoritarismo. Precisa também de alguém que aceite duas regras não negociáveis: nunca solto onde haja estradas, e casaco no inverno. Fora isso, é das raças mais fáceis de manter que existem — pouco pelo, pouca comida, pouca sujidade, pouco barulho.

O que um Whippet precisa todos os dias

Exercício. Uma hora por dia de passeio normal, mais a possibilidade de correr à solta em terreno vedado duas ou três vezes por semana. É essa corrida curta e explosiva que o satisfaz de verdade: cinco minutos a toda a velocidade valem mais do que duas horas de trela. Sem isso não fica hiperativo — fica apático e ganha peso, o que é bastante pior.

Treino. Aprende depressa se o treino for suave e curto. O grande tema é o chamamento, que se trabalha desde cachorro sabendo que, com um coelho ou um gato à vista, nenhum Whippet responde: a visão dispara antes do ouvido. Trela sempre em zonas abertas, peitoral bem ajustado (a cabeça é mais estreita do que o pescoço) e recintos vedados para a liberdade. Castigos e vozes altas destroem a confiança dele.

Comida. Come menos do que se espera para o tamanho, mas tem um metabolismo rápido e quase nenhuma gordura de reserva. O peso ideal é aquele em que se veem as duas ou três últimas costelas — um Whippet com aspeto de cão «normal» está gordo. Refeições divididas em duas e descanso antes e depois do exercício são bons hábitos num cão de peito fundo.

Pelo e higiene. É a raça de manutenção mais baixa deste grupo: pelo curto e fino, quase sem cheiro, uma passagem de luva de borracha por semana e banhos raros. O trabalho está na pele, não no pelo — é fina como papel e corta-se em silvas, arames e ramos, por isso vale a pena inspecionar as pernas depois de correr no campo. Unhas sempre curtas, para não estragar as passadas.

Saúde. É das raças puras mais saudáveis que existem, com poucos problemas hereditários graves. Os pontos a conhecer são a sensibilidade a anestésicos e a alguns fármacos, por causa da baixa percentagem de gordura corporal — o veterinário deve saber que está a tratar um lebréu —, alguma incidência de doença cardíaca valvular e de cataratas, e os traumatismos musculares e cortes ligados à corrida. Ao criador pedem-se coração auscultado e olhos examinados.

Com quem combina o Whippet

Combina bem com

  • Apartamentos silenciosos, com sofá disponível e aquecimento no inverno
  • Quem tem acesso a terreno vedado para o deixar correr
  • Famílias calmas, com crianças que respeitam o descanso do cão
  • Quem quer um cão limpo, sem cheiro e quase sem pelo

Pensa duas vezes se

  • Quem tem gatos, coelhos ou galinhas sem vedação a sério
  • Casas barulhentas, com vozes altas e correções duras
  • Quem quer um cão de guarda que avise ou intimide
  • Apartamento sem forma de o levar a correr solto em segurança

Antes de dizer sim

A visão manda

Basta um gato a atravessar para o chamamento deixar de existir. Nunca solto perto de estradas, peitoral de escape em vez de coleira larga e recintos vedados para a corrida da semana.

Sente o frio

Pelo fino, pele fina e quase nenhuma gordura: treme aos dez graus. Casaco impermeável no inverno, cama levantada do chão e mantas em quantidade — dormir tapado é norma, não mimo.

Não é cão de guarda

Não ladra a estranhos e não defende a casa. Quem procura um cão que avise ou intimide está a escolher exatamente a raça errada, por muito que tudo o resto encaixe na vida que tem.

Perguntas frequentes sobre o Whippet

O Whippet é bom para apartamento?

É um dos melhores cães de porte médio para apartamento. Passa a maior parte do dia a dormir, quase não ladra, não larga pelo nem tem cheiro. A condição é sair todos os dias e poder correr à solta em local seguro algumas vezes por semana; o espaço em casa é o menor dos problemas.

O Whippet ladra muito?

Ladra muito pouco. É das raças mais silenciosas que há, e muitos tutores contam os ladridos de um mês pelos dedos de uma mão. Isso torna-o excelente para prédios com paredes finas e péssimo como cão de guarda — não avisa de quase nada.

O Whippet dá-se bem com gatos?

Depende do cão e da forma como foi criado. Um Whippet habituado a gatos desde cachorro costuma respeitá-los dentro de casa, mas o instinto de perseguição continua lá e pode disparar com um gato a fugir na rua. Com coelhos, aves e roedores, a prudência recomenda separação física.

Quanto exercício precisa um Whippet?

Cerca de uma hora de passeio por dia, mais duas ou três oportunidades semanais de correr solto em terreno vedado. A intensidade importa mais do que a duração: são corridas de poucos minutos, seguidas de longas horas de descanso. Não é um cão para maratonas nem para ciclismo de fundo.

O Whippet é bom com crianças?

É muito bom com crianças que não sejam brutas. Tem um temperamento doce, tolerante e nada reativo, e prefere afastar-se a resmungar. O cuidado principal é físico: é magro e ossudo, magoa-se com quedas e apertos, e precisa de um sítio onde dormir sem ser incomodado.

O Whippet fica bem sozinho?

Fica razoavelmente bem, desde que tenha saído antes e tenha um sítio quente onde se enroscar. É muito ligado às pessoas e alguns exemplares desenvolvem ansiedade, por isso a habituação gradual desde cachorro continua a ser importante. Muitos tutores resolvem a questão com um segundo Whippet.

Já tem um Whippet?

Onde ele pode voltar a ser cão.

No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Whippet tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.

Há Whippets e cães com este perfil à espera em abrigos e associações. Um cão adulto tem o temperamento à vista — antes de comprar, vale a pena perguntar.

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