Chihuahua
Dois quilos de coragem mal calibrada, com uma lealdade que se concentra quase toda numa pessoa.
O Chihuahua é o cão mais pequeno do mundo e um dos mais mal compreendidos. A fama de rabugento e ladrador não vem da raça — vem de gerações de cães que viveram ao colo, nunca foram socializados e aprenderam que rosnar afasta o que assusta. Bem criado, é um cão vivo, esperto, surpreendentemente atlético para o tamanho e capaz de aprender tudo o que se ensina a um Border Collie, à escala dele. Frágil, friorento e de opinião forte, mas um companheiro extraordinário para uma vida a dois.

Como é viver com um Chihuahua
Escolhe uma pessoa. Pode dar-se bem com a casa toda, mas há quase sempre um colo oficial, e é aí que dorme, vigia e recebe visitas com uma desconfiança que não corresponde ao tamanho. Com estranhos é reservado e precisa de tempo; com outros cães, entende-se melhor com Chihuahuas e cães pequenos do que com um Labrador entusiasmado. Dentro de casa é surpreendentemente ativo: corre, brinca, esconde brinquedos debaixo de mantas e depois dorme como uma pedra.
O cachorro pesa umas centenas de gramas e parece pedir proteção total — e é essa proteção total que cria o adulto difícil. Um Chihuahua que só conhece o colo, a bolsa e a mesma sala torna-se um adulto que ladra a tudo o que é novo. O que conhece o chão, o passeio, outros cães equilibrados e visitas variadas nos primeiros meses torna-se um adulto seguro. A diferença entre os dois cães faz-se quase toda antes dos seis meses.
Precisa de um tutor que resista à tentação de o tratar como um bebé. Comer à mão, dormir na cama e nunca ouvir um «não» funcionam nos primeiros meses e cobram-se depois, em rosnados à hora de sair do sofá. Regras simples e constantes, muita socialização e a coragem de o pôr no chão em público valem mais do que qualquer método complicado. Em troca, é um cão barato de manter, fácil de transportar e leal até ao osso.
O que um Chihuahua precisa todos os dias
Exercício. Vinte a trinta minutos por dia bastam, e podem ser dois passeios curtos. Passear não é uma questão de gastar energia — é a forma de lhe manter a cabeça equilibrada e de não transformar cada estranho num inimigo. Em casa, jogos de procura de comida e brinquedos de puzzle ocupam-no bem. Nos dias de frio ou de chuva, um casaco resolve o problema; ficar semanas fechado, não.
Socialização e treino. É esperto e treina-se com prémios do tamanho de uma unha. As prioridades são três: habituá-lo a pessoas, cães e superfícies diferentes até aos quatro meses; ensinar-lhe a calar-se depois de dois ladridos; e ensinar a casa de banho com paciência, porque a bexiga é minúscula e o frio da rua desmotiva. Rosnar a quem se aproxima da cama trata-se com gestão e treino, nunca com castigo.
Comida. Come poucas gramas por dia, o que torna qualquer resto de mesa desproporcionado — um Chihuahua obeso é uma condenação para as rótulas, para a traqueia e para o coração. Ração de croquete pequeno para raças miniatura, pesada, e prémios contados. Nos cachorros muito pequenos, várias refeições ao longo do dia previnem quedas de açúcar no sangue, que dão fraqueza e tremores e são uma urgência veterinária.
Pelo e higiene. O de pelo curto resolve-se com uma escovagem semanal e uma toalha; o de pelo comprido pede escovagem duas ou três vezes por semana, com atenção às franjas das orelhas e das patas. Ambos largam pelo, ao contrário do que muita gente espera. O trabalho a sério está noutro sítio: dentes escovados quase todos os dias, unhas cortadas e olhos limpos, porque são grandes, salientes e apanham pó e pancadas.
Saúde. Muitos Chihuahuas nascem com a fontanela aberta no topo do crânio — a chamada moleira —, que costuma fechar com o crescimento mas exige cuidado com pancadas na cabeça; nos casos em que se associa a hidrocefalia, há sinais como cabeça em cúpula, desequilíbrio e dificuldade em aprender. Juntam-se a luxação da rótula, o colapso da traqueia (peitoral sempre), a doença periodontal precoce e a doença valvular mitral no cão sénior. Ao criador pedem-se rótulas e coração avaliados.
Com quem combina o Chihuahua
Combina bem com
- Apartamentos pequenos e quem vive sozinho ou a dois
- Quem quer um cão fácil de transportar e barato de manter
- Tutores dispostos a socializar a sério nos primeiros meses
- Casas calmas, com adultos ou com crianças já crescidas
Pensa duas vezes se
- Quem tem crianças pequenas a correr e a pegar nos cães
- Casas frias e sem hábito de vestir casaco ao cão
- Apartamento com vizinhos sensíveis e nenhum treino de silêncio
- Quem quer um cão que aceite estranhos sem período de adaptação
Antes de dizer sim
Dois quilos partem-se com uma queda do colo, uma porta ou um pontapé distraído. Com crianças pequenas, o risco não é o cão morder — é o cão magoar-se e passar a defender-se de tudo o que se aproxima depressa.
Pouca massa corporal e pelo fino fazem dele um cão que treme de novembro a março em muitas casas portuguesas. Casaco no passeio, cama longe de correntes de ar e passeios às horas de sol.
A boca pequena acumula tártaro cedo e a traqueia é frágil. Escovar os dentes quase todos os dias e usar peitoral em vez de trela ao pescoço evita dois problemas caros e dolorosos.
Perguntas frequentes sobre o Chihuahua
O Chihuahua é bom com crianças?
Com crianças pequenas, não é a melhor escolha. Não é uma raça agressiva por natureza, mas é frágil e assusta-se com movimentos bruscos, e um cão que se assusta muitas vezes acaba por avisar com os dentes. Com crianças a partir dos dez anos, que saibam respeitá-lo, dá-se muito bem.
O Chihuahua ladra muito?
Tende a ladrar bastante: é alerta, desconfiado com o que não conhece e aprende depressa que ladrar funciona. Não é inevitável. Socialização precoce, passeios diários e treino que recompense o silêncio transformam-no num cão que avisa e cala, em vez de um alarme permanente.
O Chihuahua sente frio?
Sente muito. Tem pouca gordura, pelo fino e uma superfície corporal grande em relação ao peso, por isso treme com facilidade mesmo dentro de casa no inverno. Casaco impermeável para o passeio, cama quente longe de correntes de ar e bom senso nos dias de vento.
O Chihuahua é bom para apartamento?
É quase o cão perfeito para apartamento: ocupa pouco espaço, precisa de pouco exercício e adapta-se a um T0 ou T1. As duas condições são treinar o ladrar desde cachorro, por causa dos vizinhos, e sair mesmo à rua todos os dias, em vez de resolver tudo num tapete higiénico.
Quanto tempo vive um Chihuahua?
É das raças mais longevas: com cuidados de rotina, peso controlado e dentes tratados, chega frequentemente aos catorze ou quinze anos, e há exemplares que passam disso. As duas coisas que mais lhe encurtam a vida são a doença periodontal e os problemas cardíacos na velhice.
O Chihuahua é bom para primeiro cão?
Pode ser, mas exige mais consciência do que parece. É barato de manter e fácil de alojar, e ao mesmo tempo é a raça em que os erros de socialização se pagam mais caro. Quem estiver disposto a tratá-lo como cão, e não como acessório, tem uma vida fácil com ele.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Chihuahua tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













