Golden Retriever
Um cão de trabalho escocês disfarçado de peluche — e o pelo dourado acaba em todo o lado.
O Golden Retriever tem a reputação de cão perfeito para famílias e, na maior parte das vezes, faz por merecê-la: é meigo, previsível, entende-se com crianças, com visitas e com outros cães, e aprende com uma facilidade que dá vontade de continuar a ensinar. O que apanha muita gente desprevenida é o resto — foi criado na Escócia para trabalhar horas seguidas a trazer aves da água, e essa herança traduz-se em energia a sério até aos três anos, num pelo que se instala no sofá e numa necessidade de companhia que não é figura de estilo.

Como é viver com um Golden Retriever
Em casa, um Golden adulto é um cão de presença suave: segue as pessoas de divisão em divisão, deita-se ao pé de quem estiver a trabalhar e levanta a cabeça sempre que alguém se mexe. Com crianças tem uma tolerância invulgar — aguenta barulho, abraços desajeitados e brincadeiras longas sem se irritar — e com estranhos não tem uma pinga de desconfiança: quem toca à porta é tratado como visita esperada. Como cão de guarda é uma desilusão completa, e convém saber isso antes de escolher a raça.
O cachorro e o adolescente são outra história. Entre os seis meses e os dois anos, o Golden é um corpo grande com a boca ocupada e os travões por instalar: morde tudo o que apanha, atira-se às pessoas para cumprimentar, puxa a trela e parece ter esquecido tudo o que aprendeu na semana anterior. Não é um cão difícil, é um cão que exige que os dois primeiros anos sejam levados a sério. Por volta dos três anos aparece o cão sereno das fotografias, e depois fica assim durante uma década.
O que o Golden pede ao tutor é presença e ocupação. Foi selecionado para trabalhar ao lado de alguém, e a solidão pesa-lhe mais do que à média das raças: um Golden fechado sozinho oito horas por dia, todos os dias, acaba a mastigar rodapés e a ladrar por tédio. Não precisa de um tutor experiente — perdoa erros de principiante com uma paciência rara — mas precisa de um tutor disposto a treinar, a passear com chuva e a aceitar que passa a haver pelo dourado em tudo o que é escuro.
O que um Golden Retriever precisa todos os dias
Exercício. Uma a duas horas por dia até aos três anos, repartidas por passeio, corrida e jogos de cobro; depois disso, uma hora bem feita chega. Nadar é o exercício ideal da raça e uma bênção para as articulações — uma praia fluvial ou uma albufeira valem mais do que meia hora de bola no parque. Antes dos doze meses, nada de saltos repetidos nem de corridas longas ao lado da bicicleta.
Treino. É o aluno que toda a gente gostava de ter: motivado por comida, por brincadeira e, sobretudo, por acertar. Aprende num par de sessões e retém. O reverso é que aprende com a mesma facilidade a saltar para cima das visitas, a roubar meias e a pedir à mesa, porque tudo isso também foi recompensado alguma vez. Sessões curtas, reforço positivo e regras iguais para toda a gente em casa.
Comida. O Golden come com entusiasmo e engorda com facilidade, e o excesso de peso é o acelerador número um das displasias e dos problemas de coluna. Pesar a ração em vez de a medir a olho, descontar os prémios do treino da dose diária e conseguir sentir-lhe as costelas sem carregar são hábitos simples que lhe acrescentam anos. Duas refeições, com descanso antes e depois, reduzem também o risco de torção gástrica.
Pelo. Pelo duplo, médio a comprido, com franjas nas orelhas, no peito, na barriga e nas patas traseiras. Cai o ano inteiro e cai muito mais nas duas mudas. Escovagem três a quatro vezes por semana, diária na muda, com atenção especial aos nós atrás das orelhas e nas «calças». Nunca tosquiar: o subpelo é isolamento térmico e, no verão português, retirá-lo piora as coisas em vez de as melhorar.
Saúde. É a raça em que a escolha do criador mais se nota. Peça as radiografias de displasia da anca e do cotovelo dos pais, o exame oftalmológico anual — atrofia progressiva da retina, cataratas hereditárias — e a avaliação cardíaca para estenose subaórtica. Somem-se a ictiose, o hipotiroidismo, as otites por orelha descaída e, o mais duro de todos, uma incidência de cancro acima da média da espécie, sobretudo hemangiossarcoma e linfoma. Manter o cão magro e vigiar caroços novos está ao alcance de qualquer tutor.
Com quem combina o Golden Retriever
Combina bem com
- Famílias com crianças que querem um cão tolerante e previsível
- Quem tem um primeiro cão e está disposto a treinar a sério
- Casas onde há quase sempre alguém, ou um ATL para cães
- Pessoas ativas: caminhadas, água, jogos de cobro, treino de faro
Pensa duas vezes se
- Quem procura um cão de guarda ou reservado com estranhos
- Casas onde o pelo no sofá e na roupa escura é um problema
- Quem passa o dia inteiro fora sem alternativa para o cão
- Apartamento pequeno sem tempo para dois passeios longos por dia
Antes de dizer sim
É das raças que pior tolera muitas horas sozinha. Sem companhia, sem ATL ou sem alguém que o leve a passear a meio do dia, o tédio transforma-se em destruição e numa ansiedade difícil de reverter.
Não é um cão para quem gosta da casa impecável. Deixa pelo dourado no sofá, na roupa escura e dentro do carro durante o ano inteiro, e muito mais nas duas mudas anuais.
Displasias, olhos, coração e cancro são o calcanhar de Aquiles da raça. Exigir os exames dos pais e conhecer os adultos da linha muda o prognóstico de toda a vida do cão.
Perguntas frequentes sobre o Golden Retriever
O Golden Retriever é bom para apartamento?
Pode viver bem num apartamento, desde que saia duas vezes por dia para passeios longos e tenha atividade fora de casa. O que lhe falta num apartamento não é espaço para correr, é companhia e ocupação. O que raramente funciona é apartamento pequeno somado a um dia inteiro sozinho.
O Golden Retriever é bom com crianças?
É das melhores raças para casas com crianças: tolerante, brincalhão e pouco reativo a barulho e confusão. A única cautela real é o tamanho e o entusiasmo do adolescente, que derruba uma criança pequena sem intenção nenhuma. Ensinar cedo a não saltar e supervisionar as brincadeiras resolve.
O Golden Retriever larga muito pelo?
Larga muito, o ano inteiro, e muitíssimo nas duas mudas de primavera e de outono. Escovar três a quatro vezes por semana reduz bastante o que fica pela casa, mas não elimina. Quem não tolera pelo dourado na roupa preta deve escolher outra raça, porque não há truque que resolva.
Quanto exercício precisa um Golden Retriever?
Entre uma e duas horas por dia até aos três anos, com corrida, jogos de cobro e, sempre que possível, natação; depois disso, cerca de uma hora diária. Vale mais dividir em dois passeios do que fazer tudo de uma vez, e o trabalho de faro cansa-o mais do que a bola.
O Golden Retriever fica bem sozinho?
Fica mal. Tolera duas a quatro horas depois de exercício, mas jornadas inteiras sozinho, todos os dias, produzem ansiedade, destruição e ladrar. Se a casa fica vazia das nove às sete, é preciso um plano: um ATL para cães, alguém que o leve a passear a meio do dia ou horários alternados.
O Golden Retriever é bom para primeiro cão?
É uma das melhores escolhas para quem nunca teve cão, porque perdoa erros e aprende depressa. Mas não é fácil no sentido de dar pouco trabalho: exige exercício diário, escovagem frequente e dois anos de treino paciente antes de se tornar o cão calmo que aparece nas fotografias.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Golden Retriever tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













