Pastor Alemão
Cabeça de trabalho num corpo de atleta: dê-lhe uma tarefa ou ele arranja uma.
O Pastor Alemão é a raça que mais gente reconhece à distância e também a que mais vezes é escolhida pelas razões erradas. Não é um cão de guarda que se liga e desliga: é um cão de pastoreio, feito para trabalhar horas ao lado de uma pessoa, ler-lhe a intenção e decidir sozinho quando é preciso. Quem lhe dá ocupação fica com um dos cães mais completos que se podem ter. Quem o deixa a olhar para a rua fica com um vigilante ansioso, que ladra a tudo e desconfia de toda a gente que passa.

Como é viver com um Pastor Alemão
Dentro de casa, um Pastor Alemão equilibrado é bem mais sossegado do que a fama sugere. Escolhe um ponto de onde controla as portas todas e fica ali, a acompanhar o movimento com as orelhas. Costuma ligar-se de forma intensa a uma pessoa sem deixar de ser afetuoso com o resto da família, e com as crianças da casa é tolerante e curiosamente cuidadoso no tamanho que faz. Com estranhos é reservado por natureza: não corre a cumprimentar, observa primeiro e só depois decide. Essa distância faz parte do padrão da raça e não se confunde com medo nem com agressividade.
O cachorro é outro assunto. Cresce depressa, morde com vontade, tenta pastorear tudo o que se mexe — calcanhares, bicicletas, o aspirador — e entra numa adolescência longa, entre os oito e os vinte meses, em que parece ter esquecido metade do que aprendeu e ganha medos novos de um dia para o outro. É nessa fase que se decide o cão adulto. Socialização calma com pessoas, cães, chãos escorregadios e ruídos de cidade, mais um tutor que dê regras claras sem levantar a voz, valem mais do que um curso de obediência feito à pressa aos dois anos.
Vale a pena saber que existem vários Pastores Alemães dentro do mesmo nome. A linha de beleza, que domina as exposições, apresenta a garupa bastante inclinada e os ângulos do posterior muito marcados; as linhas de trabalho e as chamadas linhagens antigas mantêm um dorso mais direito e uma construção menos angulada. A literatura veterinária associa a raça à displasia da anca e do cotovelo e à mielopatia degenerativa, e há preocupação documentada com o efeito da angulação extrema sobre a locomoção. Isto não é uma guerra entre criadores: é a razão para olhar bem para os pais do cachorro, para os exames oficiais e para a forma como se movem.
O que um Pastor Alemão precisa todos os dias
Exercício. Cerca de duas horas por dia, repartidas, com caminhada a sério, alguma corrida e qualquer coisa que lhe ocupe a cabeça. Andar às voltas num quintal não conta como exercício. Até ao ano e meio convém poupar as articulações em crescimento: nada de saltos repetidos, escadas em excesso ou corrida ao lado da bicicleta. A partir daí aguenta serras, praias e dias longos sem dar sinal de cansaço.
Socialização e treino. Aprende com uma facilidade que quase assusta, e é precisamente por isso que exige coerência. O que se deixa passar numa semana fica aprendido para sempre, incluindo ladrar à janela e chegar à porta antes das pessoas. Sessões curtas todos os dias, chamamento trabalhado a sério desde cachorro e uma ocupação fixa — procura de objetos, obediência, pastoreio, mantrailing — mudam por completo o cão que se tem dentro de casa.
Comida. Cresce muito e muito depressa, e um cachorro alimentado em excesso acaba por pagar isso nas articulações. Ração formulada para porte grande, quantidades pesadas e não medidas a olho, refeições divididas em duas e nenhum exercício forte na hora seguinte à comida, porque esta é das raças mais afetadas pela torção gástrica. No adulto, o peso certo é aquele em que se sentem as costelas sem as ver.
Pelo. Tem subpelo denso e larga o ano inteiro, com duas mudas em que a casa fica coberta. Escovagem duas a três vezes por semana, diária nas mudas, e com escova que chegue ao subpelo — a de superfície engana. Banhos poucos e só quando é preciso. No verão português, tosquiar não é solução: o pelo duplo funciona como isolamento contra o calor e cortá-lo estraga a estrutura.
Saúde. Peça ao criador as radiografias oficiais de anca e cotovelo dos pais e pergunte pela mielopatia degenerativa, que tem teste genético disponível. A raça é ainda sensível à torção gástrica, à insuficiência pancreática exócrina, a alergias de pele e a otites de repetição. Um cão magro, musculado e com exercício regular chega aos últimos anos em condições completamente diferentes — é aí que a diferença se nota.
Com quem combina o Pastor Alemão
Combina bem com
- Quem quer treinar a sério e dar uma ocupação diária ao cão
- Famílias ativas, com tempo para exercício e para cabeça ocupada
- Casas com vedação sólida, dentro ou fora da cidade
- Quem procura um cão atento, reservado com estranhos e leal
Pensa duas vezes se
- Quem trabalha fora o dia inteiro e não tem plano para o cão
- Casas onde ninguém quer escovar pelo nem aspirar todas as semanas
- Apartamento sem passeios longos e sem trabalho mental diário
- Quem quer um cão de guarda sem investir em socialização
Antes de dizer sim
Entre os oito e os vinte meses, um cão de trinta quilos põe tudo em causa e ganha medos novos. É a fase que decide o adulto: mais socialização, mais rotina e menos castigo, nunca o contrário.
Exija ao criador as radiografias oficiais dos progenitores e mantenha o cachorro magro. Escadas, pisos escorregadios e saltos repetidos no primeiro ano cobram-se muito mais tarde, quando já não há volta.
Um Pastor Alemão que passa o dia a vigiar a rua treina-se a si próprio para ladrar. Tapar a vista, fechar o acesso e dar-lhe tarefas resolve mais do que qualquer repreensão.
Perguntas frequentes sobre o Pastor Alemão
Qual é a diferença entre o Pastor Alemão de linhagem antiga e o Pastor Alemão de linha de beleza?
É sobretudo de construção e de seleção. A linha de beleza, criada para exposição, tem a garupa mais inclinada e os posteriores muito angulados; as linhagens antigas e de trabalho mantêm o dorso mais direito, ossatura sólida e, muitas vezes, pelo comprido. A literatura veterinária associa o tipo mais angulado a maior risco de displasia e de mielopatia degenerativa, por isso os exames dos pais contam mais do que a etiqueta.
O Pastor Alemão é bom com crianças?
Costuma ser muito bom com as crianças da própria casa: é tolerante, protetor e mede o corpo perto dos mais pequenos. Os cuidados são dois, o tamanho em cachorro, que derruba sem querer, e o instinto de pastoreio, que aparece a beliscar calcanhares em corridas e gritaria. Ensinar as crianças a acalmar o jogo resolve quase tudo.
O Pastor Alemão pode viver em apartamento?
Pode, e há muitos a viver bem em Lisboa e Setúbal, desde que saiam duas a três vezes por dia com tempo real de exercício e tenham trabalho mental em casa. O que estraga um Pastor Alemão em apartamento não é a metragem, é o tédio e a janela para a rua. Um quintal sem passeios não substitui nada.
O Pastor Alemão larga muito pelo?
Larga, e muito. Tem pelo duplo que cai o ano inteiro, com duas mudas fortes em que sai subpelo aos punhados durante semanas. Quem não quiser pelo no sofá e na roupa deve escolher outra raça. Escovar duas a três vezes por semana, com escova de subpelo, reduz bastante o que fica em casa.
O Pastor Alemão é agressivo?
Não é, quando bem criado e socializado. É reservado com estranhos e tem instinto de proteção, o que é diferente. Os problemas sérios aparecem em cães inseguros, isolados ou incentivados a desconfiar de tudo. Uma linha com temperamento estável, socialização desde cachorro e treino sem confronto dão um cão previsível em qualquer situação.
O Pastor Alemão é bom para primeiro cão?
Só com muita disponibilidade. Aprende depressa, mas também aprende depressa aquilo que não queremos, e a adolescência longa põe à prova quem nunca educou um cão. Um primeiro tutor que tenha tempo, aulas com treinador e paciência consegue perfeitamente. Quem quer um cão fácil de gerir sem treino diário deve procurar outra raça.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Pastor Alemão tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













