Rottweiler
Sereno, pesado e observador: decide muito por si e vale exatamente o que vale a sua educação.
O Rottweiler é um cão de trabalho antigo, criado para conduzir gado e guardar o dinheiro dos negociantes, e ainda hoje se comporta como tal: sossegado dentro de casa, atento à porta, económico em movimentos e pouco dado a dramas. Quem espera um cão explosivo engana-se, e quem espera um cão fácil engana-se na mesma. Aprende depressa, avalia a pessoa que tem à frente e precisa de alguém que decida com calma antes dele. Em Portugal consta da lista de raças potencialmente perigosas, o que acrescenta obrigações concretas antes de o trazer para casa.

Como é viver com um Rottweiler
Quem só conhece a fama do Rottweiler costuma estranhar o cão que encontra em casa: um animal parado, económico nos gestos, que se muda de divisão em divisão atrás da família, escolhe o sítio de onde vê a entrada e deita-se, de preferência em cima de um pé. É um cão de contacto físico, que se encosta com quarenta e tal quilos e parece não perceber o efeito. Com estranhos não é festivo: observa, mantém distância e só depois aceita. Ladra pouco, e é justamente por isso que se dá atenção quando ladra.
O cachorro desmente tudo isto. Cresce a um ritmo que assusta, brinca com a boca sem noção da força, apoia-se nas pessoas para as empurrar e passa por uma adolescência longa, entre os dez e os vinte e quatro meses, em que testa limites que já pareciam assentes. Nada disto é agressividade; é um cão grande a descobrir o corpo. Mas o que se deixa passar aos sete meses pesa cinquenta quilos aos dois anos, e é aí que a conta chega.
O que a raça pede a um tutor é sangue-frio e coerência, não dureza. Métodos de confronto com um cão que foi selecionado para não recuar produzem o pior resultado possível. Pede também aceitar o peso social de andar com ele: olhares na rua, condóminos desconfortáveis, açaimo obrigatório na via pública e conversas que outros donos não têm. Quem não quiser essa parte deve escolher outra raça — não por causa do cão, mas por causa do dia a dia.
O que um Rottweiler precisa todos os dias
Exercício. Cerca de uma hora e meia por dia, repartida, com caminhada firme e alguma puxada de peso ou de arrasto, que é o trabalho para que foi feito. Não é um cão de corridas longas nem de saltos: até ao ano e meio poupam-se articulações em crescimento, e no verão da margem sul evita-se o meio-dia, porque o pelo preto absorve calor como poucos.
Socialização e treino. Começa na primeira semana em casa e não acaba. Precisa de conhecer gente, cães, ruas, elevadores e barulho enquanto ainda é pequeno, porque um Rottweiler mal socializado torna-se desconfiado e um cão desconfiado com este tamanho não tem margem de erro. Aprende com rapidez incómoda, gosta de tarefas e trabalha muito bem com recompensa. Aulas com treinador não são luxo nesta raça.
Comida. Cresce devagar até aos dois anos e o excesso de comida em cachorro traduz-se em articulações estragadas mais tarde. Ração de porte grande, quantidades pesadas, duas refeições diárias e nada de exercício forte na hora seguinte, porque é uma raça sensível à torção gástrica. No adulto, o peso certo é aquele em que se sentem as costelas sem as ver.
Pelo. Manutenção baixa e honesta: pelo curto, com subpelo, escovagem semanal e uma luva de borracha nas duas mudas do ano. Larga mais do que se espera de um cão preto de pelo curto, sobretudo pelos escuros e espetados que se agarram ao tecido. Unhas grossas que crescem depressa e orelhas a verificar, e está feito.
Saúde. Peça ao criador as radiografias oficiais de anca e cotovelo dos progenitores, o exame cardíaco (a estenose subaórtica existe na raça) e o teste genético de JLPP, a paralisia laríngea com polineuropatia juvenil. Vigie ainda a rotura do ligamento cruzado, o osteossarcoma, o entrópio e a obesidade. É uma raça de vida curta para o que promete, e manter o cão magro é a medida que mais anos acrescenta.
O Rottweiler e a lei portuguesa
O Rottweiler é uma das sete raças da Portaria n.º 422/2004, de 24 de abril, que fixa a lista de raças potencialmente perigosas, a par do Cão de Fila Brasileiro, Dogue Argentino, Pit Bull Terrier, Staffordshire Terrier Americano, Staffordshire Bull Terrier e Tosa Inu, e ainda dos cruzamentos destas raças. O regime aplicável está no Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29 de outubro, alterado pela Lei n.º 46/2013. Convém ler isto antes de escolher o cão, e não depois.
Na prática: a licença de detenção é pedida na junta de freguesia entre os 3 e os 6 meses de idade do cão, o detentor tem de ter pelo menos 16 anos e é obrigatório um seguro de responsabilidade civil com capital mínimo de 50 000 euros por anuidade. Na via pública, o cão circula com açaimo funcional e trela curta até 1 metro, fixa a coleira ou peitoral. A identificação eletrónica por microchip é obrigatória e fica registada no SIAC.
Há ainda duas exigências que apanham muita gente de surpresa: a esterilização entre os 4 e os 6 meses para exemplares não inscritos em livro de origens reconhecido, e o alojamento com vedação de pelo menos 2 metros de altura, em material resistente e com placas de aviso visíveis. O incumprimento é contraordenação, com coimas. A lei fala de raças potencialmente perigosas e classifica o cão perigoso pelo comportamento individual; confirme sempre os detalhes na sua junta de freguesia e com o veterinário, porque a legislação pode ser alterada.
Com quem combina o Rottweiler
Combina bem com
- Tutores experientes, com tempo e cabeça fria para treinar todos os dias
- Casas com vedação sólida e espaço para um cão pesado
- Quem quer um cão sossegado em casa e atento à porta
- Famílias com crianças mais velhas, que respeitem o descanso do cão
Pensa duas vezes se
- Quem procura um cão de guarda sem investir em socialização
- Casas onde o cão fica fechado sozinho a maior parte do dia
- Apartamento sem passeios longos e sem trabalho para a cabeça
- Quem não quer lidar com açaimo, seguro e licença na junta
Antes de dizer sim
Entre os dez e os vinte e quatro meses, um cão de quarenta quilos volta a testar tudo. É a fase que decide o adulto: mais rotina, mais socialização e nenhuma disputa de força com ele.
Licença na junta de freguesia, seguro de responsabilidade civil, açaimo e trela de um metro na rua. Não é burocracia contornável: sem isto, o passeio de domingo pode acabar em coima.
Peça radiografias de anca e cotovelo dos pais e exame cardíaco. Mantenha o cachorro magro, sem escadas nem saltos repetidos no primeiro ano. É o que separa um sénior ativo de um sénior com dores.
Perguntas frequentes sobre o Rottweiler
O Rottweiler é agressivo?
Não é agressivo por natureza. É um cão reservado, seguro de si e com instinto de proteção, o que é diferente. Os problemas graves aparecem em cães isolados, mal socializados ou treinados com confronto. Uma linha com temperamento estável, socialização desde cachorro e treino com recompensa dão um cão previsível e sossegado.
O Rottweiler precisa de licença especial em Portugal?
Sim. Consta da Portaria n.º 422/2004 e obriga a licença de detenção na junta de freguesia entre os 3 e os 6 meses, detentor com pelo menos 16 anos, seguro de responsabilidade civil de 50 000 euros e, na via pública, açaimo e trela até 1 metro. Confirme os detalhes na sua junta.
O Rottweiler é bom com crianças?
Com as crianças da própria casa costuma ser tolerante, calmo e cuidadoso. Os cuidados são o tamanho, porque derruba sem querer, e o hábito de empurrar com o corpo. Funciona melhor com crianças já com alguma idade, que saibam deixar o cão comer e dormir em paz, sempre com supervisão.
O Rottweiler pode viver em apartamento?
Pode, e há muitos a viver bem em cidade, porque dentro de casa é sossegado e ladra pouco. O que decide não são os metros quadrados, é sair duas a três vezes por dia com exercício a sério e ter ocupação mental. Um quintal sem passeios não substitui nada.
Quanto exercício precisa um Rottweiler?
Cerca de hora e meia por dia, dividida em duas ou três saídas, com caminhada firme e alguma atividade de força ou de arrasto. Até ao ano e meio evita-se corrida longa, escadas e saltos, para proteger as articulações em crescimento. No verão, sair de manhã cedo e ao fim do dia.
O Rottweiler é bom para primeiro cão?
Raramente. Não é um cão difícil de treinar, é um cão que não perdoa incoerência e cujos erros ficam caros por causa do tamanho e da força. Um primeiro tutor com muito tempo, acompanhamento profissional desde cachorro e vontade de cumprir as obrigações legais consegue; sem isso, é melhor outra raça.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Rottweiler tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













