Staffordshire Bull Terrier
Um bloco de músculo com cara de quem acabou de contar uma piada e quer colo a seguir.
O Staffordshire Bull Terrier vive numa contradição curiosa: em Inglaterra, onde nasceu, tem há décadas fama de cão fantástico com crianças da casa, e em Portugal consta da lista legal de raças potencialmente perigosas. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo e as duas explicam-se. É um cão pequeno mas denso, com força desproporcionada ao tamanho, apaixonado por pessoas ao ponto de ser pegajoso, brincalhão até tarde na vida e, muitas vezes, pouco tolerante com outros cães. Quem o escolhe tem de contar com as três coisas.

Como é viver com um Staffordshire Bull Terrier
Com a família, é um cão de uma efusividade quase cansativa. Cumprimenta ao pé-coxinho, abana o corpo inteiro, trepa para o sofá e instala-se por cima de alguém como se fosse uma manta de quinze quilos. Com as crianças da casa costuma ser paciente e resistente à trapalhice delas, e é dessa reputação que vem a fama inglesa. Com estranhos raramente é reservado: quer é conhecê-los. Um cão de guarda, no sentido clássico, não é de todo.
A parte que se cala com demasiada frequência é a relação com outros cães. O Staffie foi selecionado num passado de combates e muitos exemplares mantêm baixa tolerância a cães do mesmo sexo, sobretudo a partir da maturidade sexual. Há cães que convivem bem em parque, há cães que não convivem de todo, e não é um defeito de educação nem se resolve com socialização a mais. Aprende-se a ler o próprio cão, escolhem-se os encontros e evita-se o azar.
O adolescente é energia pura em formato compacto: mastiga tudo, salta, puxa a trela com uma força que surpreende quem já teve cães maiores, e tem maxilares que desfazem brinquedos baratos numa tarde. Depois dos três anos assenta bastante e transforma-se num cão de casa fácil. O que a raça pede é um tutor presente, com sentido de humor, disciplina nos passeios e nenhuma ilusão sobre o que tem em mãos.
O que um Staffordshire Bull Terrier precisa todos os dias
Exercício. Cerca de uma hora por dia chega, desde que seja exercício a sério: caminhada rápida, jogos de puxar com regras, corrida em zona segura e vedada. Não é um maratonista e tem focinho relativamente curto, por isso no calor de julho e agosto sai cedo e ao fim da tarde, com água por perto e sem esforço ao sol.
Socialização e treino. Quer agradar e come qualquer coisa por uma recompensa, o que o torna um aluno rápido. As prioridades são três: andar à trela sem puxar, largar objetos à ordem e um chamamento sólido. A socialização com cães faz-se cedo e com critério, em encontros escolhidos e curtos, em vez do parque cheio ao domingo à tarde.
Comida. Engorda com facilidade e um Staffie gordo perde a linha atlética que é a própria raça. Ração pesada, prémios do treino contados no total do dia e nada de sobras à mesa, porque este é um cão que pede com uma persistência difícil de resistir. Ossos de mastigação demasiado duros partem dentes nesta raça.
Pelo e pele. Pelo curto, escovagem semanal com luva de borracha e pouco mais — larga menos do que muitos cães maiores, mas os pelos curtos espetam-se nos tecidos. A pele é o ponto fraco: alergias e dermatites são comuns, e a pele clara do focinho e da barriga queima-se ao sol português.
Saúde. Há dois testes genéticos que se pedem sempre ao criador, ambos com resultado oficial: a L-2-hidroxiglutaricacidúria e a catarata hereditária juvenil. Junte as radiografias de anca e a avaliação da rótula. Na vida adulta, atenção às alergias de pele, aos mastocitomas e ao excesso de peso. É uma raça geralmente robusta, com uma esperança de vida que chega bem aos 12 ou 14 anos.
O Staffordshire Bull Terrier e a lei portuguesa
O Staffordshire Bull Terrier é uma das sete entradas da Portaria n.º 422/2004, de 24 de abril, que fixa a lista das raças potencialmente perigosas, juntamente com o Cão de Fila Brasileiro, o Dogue Argentino, o Pit Bull Terrier, o Rottweiler, o Staffordshire Terrier Americano, o Tosa Inu e os cruzamentos destas raças. O regime consta do Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29 de outubro, alterado pela Lei n.º 46/2013. Vale a pena conhecê-lo antes de trazer o cachorro.
O que muda no dia a dia: licença de detenção pedida na junta de freguesia entre os 3 e os 6 meses de idade, detentor com pelo menos 16 anos, seguro de responsabilidade civil obrigatório com capital mínimo de 50 000 euros por anuidade e, na via pública, açaimo funcional e trela curta até 1 metro fixa a coleira ou peitoral. A identificação eletrónica por microchip é obrigatória, com registo no SIAC.
Acrescem a esterilização entre os 4 e os 6 meses para exemplares não inscritos em livro de origens reconhecido e o alojamento com vedação de pelo menos 2 metros de altura, resistente e com placas de aviso visíveis; o incumprimento é contraordenação, punível com coima. Note-se que a lei fala de raças potencialmente perigosas e reserva a classificação de cão perigoso para o comportamento individual do animal. Confirme sempre na sua junta de freguesia e com o veterinário, porque a legislação pode mudar.
Com quem combina o Staffordshire Bull Terrier
Combina bem com
- Famílias presentes, com crianças que já sabem respeitar o cão
- Quem quer um cão pequeno mas forte, para caminhar todos os dias
- Casas de cão único, ou com um cão do sexo oposto
- Apartamento com passeios diários e alguém em casa boa parte do dia
Pensa duas vezes se
- Quem sonha com passeios em parques cheios de cães à solta
- Casas onde já vivem cães do mesmo sexo pouco tolerantes
- Quem passa o dia inteiro fora e não tem plano para o cão
- Quem não quer tratar de licença, seguro e açaimo na rua
Antes de dizer sim
Muitos Staffies não toleram outros cães do mesmo sexo depois da maturidade. Não é falha de educação: gere-se com escolhas, trela e bom senso, e evita-se o parque à hora de ponta.
Quinze quilos que puxam como trinta. Treinar a trela e o largar desde cachorro poupa lesões nos dois lados e faz a diferença entre um passeio agradável e uma luta diária.
Alergias e dermatites são frequentes, e a pele clara da barriga e do focinho queima-se ao sol. Sombra no verão, banhos poucos e veterinário logo aos primeiros sinais de comichão persistente.
Perguntas frequentes sobre o Staffordshire Bull Terrier
O Staffordshire Bull Terrier é bom com crianças?
Com as crianças da própria casa é habitualmente excelente: tolerante, brincalhão e resistente. Em Inglaterra tem essa fama há décadas. Não dispensa, ainda assim, o essencial de qualquer cão: supervisão com os mais pequenos, respeito pelo prato e pela cama, e brincadeiras que não terminem em excitação descontrolada.
O Staffordshire Bull Terrier dá-se bem com outros cães?
Depende muito do cão. Alguns convivem sem problema, mas é comum haver pouca tolerância a cães do mesmo sexo a partir da maturidade. Socialização desde cedo ajuda, sem garantir nada. A gestão sensata passa por escolher os companheiros de brincadeira e não confiar em parques com muitos cães desconhecidos.
O Staffordshire Bull Terrier precisa de licença em Portugal?
Sim. Consta da Portaria n.º 422/2004, o que implica licença de detenção na junta de freguesia entre os 3 e os 6 meses, detentor com pelo menos 16 anos, seguro de responsabilidade civil de 50 000 euros e açaimo com trela até 1 metro na via pública. Confirme os detalhes na sua junta.
O Staffordshire Bull Terrier ladra muito?
Não é dos cães mais vocais. Ladra a cumprimentar, na brincadeira e por entusiasmo, mas raramente faz sentinela à janela, porque também não é um cão de guarda. Um Staffie que ladra sem parar costuma estar aborrecido, com energia por gastar ou sozinho tempo a mais, e o problema resolve-se quase sempre por aí, sem treino especial.
O Staffordshire Bull Terrier pode viver em apartamento?
Pode, e é uma das raças fortes que melhor se adapta, por ser compacta, sossegada dentro de casa e pouco ladradora. As condições são sair todos os dias com exercício verdadeiro, ter brinquedos de mastigar resistentes e não passar o dia inteiro sozinho, porque é muito dependente de companhia.
Quanto exercício precisa um Staffordshire Bull Terrier?
Cerca de uma hora por dia, dividida em duas saídas, mais brincadeira de puxar ou de mastigar em casa. Tem focinho relativamente curto, por isso no calor evita-se o esforço nas horas quentes. Um Staffie que gasta corpo e cabeça passa o resto do dia colado ao sofá.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Staffordshire Bull Terrier tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













