Yorkshire Terrier
Três quilos de terrier a sério, embrulhados em pelo de seda — e ele sabe muito bem disso.
O Yorkshire Terrier chegou ao colo das senhoras vitorianas por acidente de percurso: antes disso caçava ratos nas fábricas e nas minas do norte de Inglaterra, e essa cabeça nunca lhe saiu. Quem espera um cão de regaço decorativo apanha uma surpresa — o Yorkshire é corajoso ao ponto da inconsciência, ladra a tudo o que se mexe no patamar e desafia cães dez vezes maiores. É pequeno, cabe em qualquer apartamento e larga quase nada de pelo, mas exige as mesmas regras que se dariam a um cão de trinta quilos.

Como é viver com um Yorkshire Terrier
Em casa é um cão-sombra: segue a pessoa dele de divisão em divisão, dorme encostado e reclama colo com uma insistência difícil de recusar. Com a família é carinhoso e brincalhão; com estranhos é desconfiado e anuncia-os em voz alta. Com crianças pequenas o problema não é o feitio — é a física. Um cão de dois ou três quilos magoa-se com uma queda do sofá ou com um abraço mal medido, e um cão que se magoa muitas vezes acaba por avisar com os dentes.
O cachorro parece um brinquedo e é aí que começam os problemas. Um Yorkshire ao colo o dia inteiro nunca aprende a andar no chão, a ficar sozinho nem a lidar com outros cães, e cresce convencido de que o mundo obedece a quem ladra mais alto. Entre os seis e os dezoito meses testa tudo: a cama, o sofá, a comida do dono, a paciência dos vizinhos. Um adulto bem criado é o oposto — vivo, seguro, capaz de acompanhar um dia inteiro fora e de dormir enrolado a seguir.
Precisa de um tutor que trate um cão pequeno como cão. Regras iguais todos os dias, chão em vez de colo permanente, passeios a sério com peitoral e trela, contacto regular com outros cães de porte semelhante. Nada disto lhe tira o charme; tira-lhe a ansiedade e o ladrar defensivo que dá má fama à raça. E dá jeito ter mão para o pelo ou orçamento para um groomer, porque o manto sedoso do padrão não se mantém sozinho.
O que um Yorkshire Terrier precisa todos os dias
Exercício. Trinta a quarenta e cinco minutos por dia, divididos em dois passeios, chegam para a maioria dos Yorkshires — mas têm de ser passeios de verdade, no chão, com tempo para cheirar e ver o mundo. Em casa, cinco minutos a perseguir uma bola pelo corredor ou a resolver um brinquedo com comida gastam mais energia do que parece. Um Yorkshire que só sai ao colo torna-se um Yorkshire histérico à janela.
Treino. É esperto e aprende depressa, com um senão: aborrece-se com repetição e desiste se o treino for seco. Sessões de três a cinco minutos, prémios minúsculos (o estômago também é minúsculo) e muito reforço do silêncio — ensinar o «basta» depois de dois ladridos vale mais do que tentar impedir o primeiro. O ensino da casa de banho é a parte lenta: bexigas pequenas, invernos frios e donos que desistem à segunda semana explicam a fama da raça neste capítulo.
Comida. Come pouco em volume e por isso qualquer excesso conta: dois biscoitos de tamanho humano são, para ele, uma refeição inteira. Ração de qualidade adequada a raças miniatura, pesada, e prémios de treino descontados da dose diária. Nos cachorros muito pequenos há risco de hipoglicemia se passarem muitas horas sem comer, pelo que nos primeiros meses se fazem várias refeições pequenas ao longo do dia.
Pelo e higiene. O pelo do Yorkshire é mais parecido com cabelo do que com pelo: cresce sem parar, larga muito pouco e emaranha-se em dois dias se ninguém lhe tocar. Ou se escova todos os dias e se mantém comprido, ou se opta por um corte curto de manutenção com groomer de seis em seis a oito semanas — que é o que a maioria das famílias portuguesas acaba por fazer, sobretudo no verão. Atenção também às unhas e aos ouvidos, que têm pelo por dentro.
Saúde. Os dentes são o ponto fraco número um: boca minúscula, tártaro cedo e doença periodontal como principal causa de dor crónica e de perda de dentes na raça. Escovagem desde cachorro e destartarizações quando o veterinário indicar. Seguem-se a luxação da rótula, o colapso da traqueia (razão para usar peitoral e nunca prender a trela ao pescoço), a doença de Legg-Calvé-Perthes e o shunt portossistémico. Ao criador pedem-se rótulas avaliadas e cachorros entregues só depois das oito semanas.
Com quem combina o Yorkshire Terrier
Combina bem com
- Apartamentos e casas pequenas, mesmo sem pátio nem jardim
- Quem trata um cão pequeno com as mesmas regras de um grande
- Casas com tempo para escovar todos os dias ou orçamento de groomer
- Adultos e famílias com crianças mais velhas, que sabem pegar-lhe
Pensa duas vezes se
- Quem tem crianças pequenas que ainda pegam nos cães ao colo
- Casas onde ninguém quer ouvir um cão a avisar de tudo
- Apartamento com vizinhos sensíveis e nenhum treino de silêncio previsto
- Quem quer um cão de manutenção zero, sem escova nem groomer
Antes de dizer sim
Não é um cão de regaço: foi feito para caçar ratos e ainda tem essa cabeça. Sem regras, exercício e contacto com outros cães, torna-se um pequeno tirano barulhento em vez de um companheiro fácil.
Escovar os dentes desde cachorro e passear sempre com peitoral, nunca com a trela presa ao pescoço. São dois hábitos simples que evitam os dois problemas mais comuns e mais caros da raça.
Três quilos partem-se com uma queda do colo, um pontapé distraído ou um cão maior a brincar. Vigiar escadas, sofás altos e parques com raças grandes passa a fazer parte da rotina.
Perguntas frequentes sobre o Yorkshire Terrier
O Yorkshire Terrier é bom para apartamento?
É das raças mais bem adaptadas a apartamento: ocupa pouco espaço, larga pouco pelo e satisfaz-se com passeios curtos. O único obstáculo real é a voz — anuncia o elevador, o vizinho e o carteiro. Com treino do silêncio desde cachorro, vive muito bem entre paredes finas.
O Yorkshire Terrier ladra muito?
Ladra bastante, sim: é um terrier de alarme em miniatura e avisar faz parte do pacote. A quantidade depende sobretudo do treino e do tédio. Recompensar o silêncio, ignorar o ladrar de atenção e garantir passeios e jogos suficientes reduz o problema a metade ou menos.
O Yorkshire Terrier é bom com crianças?
É melhor com crianças a partir dos oito ou dez anos. Não é um cão agressivo, mas é frágil e defende-se quando lhe fazem mal, e um cão de três quilos magoa-se com facilidade. Com crianças pequenas exige supervisão permanente e a regra de que o cão fica no chão.
Quanto exercício precisa um Yorkshire Terrier?
Cerca de trinta a quarenta e cinco minutos por dia, em dois passeios, mais alguns minutos de brincadeira em casa. Não é um cão de sofá absoluto: gosta de andar, cheirar e explorar, e um Yorkshire sem passeios torna-se irritadiço e bastante mais barulhento.
O Yorkshire Terrier fica bem sozinho?
Aguenta algumas horas se for habituado desde cachorro a ficar num sítio confortável, com algo para roer. O que corre mal é o cão que passa a vida ao colo e é depois deixado oito horas de repente. Habituação gradual desde o primeiro dia resolve quase todos os casos.
O Yorkshire Terrier larga muito pelo?
Larga muito pouco: o pelo é do tipo cabelo e cresce continuamente em vez de cair em mudas. Isso torna-o mais tolerável para quem tem alergias, mas não o torna hipoalergénico e obriga a escovagem diária ou a corte regular, sob pena de nós que só se resolvem à máquina.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Yorkshire Terrier tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













