Shiba Inu
Pequeno, limpo e absolutamente convencido de que as ordens são sugestões a avaliar.
O Shiba Inu é o mais pequeno dos cães nativos japoneses e foi criado para caçar sozinho em encosta, longe do caçador, a decidir tudo por si. Essa autonomia continua intacta na sala de estar de um apartamento em Lisboa. Quem chega à raça pela beleza da raposa vermelha descobre depressa duas outras coisas: é de uma limpeza quase felina, e é o cão mais independente que provavelmente alguma vez terá. Dá muito afeto, mas nos seus termos e à sua hora, e isso encanta uns tanto quanto desilude outros.

Como é viver com um Shiba Inu
Um Shiba não vive à volta das pessoas: vive ao lado delas. Escolhe um sítio com vista para a divisão, enrola-se e observa. Vem receber quem chega, aceita festas durante algum tempo e depois afasta-se sem drama nenhum, porque já teve a dose que queria. Não é frieza; é uma forma diferente de gostar. Fica melhor sozinho do que a maioria dos cães pequenos, desde que tenha exercício e nada de interessante ao alcance dos dentes, e raramente ladra por ladrar.
Com crianças a coisa exige regras. Não gosta de ser agarrado, apertado nem interrompido a dormir ou a comer, e avisa a sério quando isso acontece. Com crianças mais velhas, que percebam que o cão tem direito a recusar contacto, é excelente companhia. Com outros cães do mesmo sexo pode ser rígido, e com gatos, aves ou coelhos há o impulso de caça de sempre, que não desaparece com treino. É um cão de posse marcada quanto a brinquedos e comida, e vale a pena trabalhar isso desde cachorro.
O tutor certo é alguém que não precise de obediência para se sentir respeitado. O Shiba aprende depressa o que lhe interessa e ignora com toda a naturalidade o que não lhe interessa, e treiná-lo é sobretudo negociar. Dois traços definem a experiência quotidiana: o chamamento nunca é fiável em espaço aberto, por mais bem treinado que esteja, e o famoso «grito Shiba» — um guincho agudo e teatral no veterinário, no banho ou ao ser levantado do chão — deixa qualquer estranho convencido de que o cão está a ser martirizado.
O que um Shiba Inu precisa todos os dias
Exercício. Uma hora bem distribuída, em duas saídas com tempo para cheirar e explorar, chega para um Shiba adulto equilibrado. Gosta de terreno irregular, de encostas e de novidade, e aborrece-se com o mesmo percurso todos os dias. Corre bem e é resistente para o tamanho, mas o passeio ideal não é rápido: é variado. No verão, tal como todos os cães de pelo duplo, evita-se o meio-dia e escolhe-se sombra.
Treino. Sessões muito curtas, comida boa e nada de repetições intermináveis, porque um Shiba aborrecido desiste da conversa. Vale mais ensinar bem meia dúzia de coisas úteis do que uma lista longa. A regra de ouro é a segurança: passeio sempre à trela ou em espaço vedado, porque o instinto de caça e a autonomia levam a melhor sobre o nome. Aprende a abrir portas e a encontrar buracos numa vedação com um talento notável.
Comida. Come pouco para o volume que aparenta e muitos são exigentes, o que assusta tutores habituados a raças glutonas. Quantidades pesadas, horários fixos e nada de deixar a taça o dia inteiro à disposição. Alergias alimentares e sensibilidade cutânea aparecem com alguma frequência, por isso mudanças de ração fazem-se devagar e com o veterinário a par se houver comichão ou otites de repetição.
Pelo e higiene. É onde a raça surpreende pela negativa. Passa o ano a largar pouco, e duas vezes por ano larga tudo: durante três a quatro semanas sai subpelo em novelos e a casa fica coberta. Nessa fase é escova diária, de preferência lá fora, com rastelo próprio para subpelo. Fora disso, é um cão de manutenção baixa e de uma limpeza notável, que se lambe como um gato, quase não cheira e detesta patas sujas.
Saúde. É uma raça longeva e robusta. Peça ao criador o resultado do teste genético para a atrofia progressiva da retina descrita no Shiba, além da avaliação de rótulas e ancas dos progenitores. Vigie a luxação da rótula, o glaucoma, as alergias e dermatites e, mais raramente, o quilotórax. Um Shiba magro, com pele saudável e rótulas em ordem chega frequentemente aos 14 ou 15 anos com bom aspeto.
Com quem combina o Shiba Inu
Combina bem com
- Quem admira um cão independente e não precisa de obediência constante
- Apartamento com passeios variados e um tutor sossegado
- Casas com crianças mais velhas, que respeitem o espaço do cão
- Quem valoriza um cão limpo, discreto e pouco ladrador
Pensa duas vezes se
- Quem quer um cão colado, obediente e sempre disponível para festas
- Casas com crianças pequenas que agarram e apertam o cão
- Quem sonha com passeios sem trela e chamamento infalível
- Quem não tolera três semanas de pelo por toda a casa, duas vezes por ano
Antes de dizer sim
Um Shiba solto segue o que lhe interessa e não volta por ser chamado. Trela em toda a via pública, vedação alta e revista aos buracos são a única prevenção realmente eficaz.
Duas vezes por ano larga subpelo em novelos durante três a quatro semanas seguidas. Quem tem alergias ou pouca tolerância a pelo deve ver esta fase antes de decidir.
Guincha alto quando é contrariado, levantado ou manuseado no veterinário. Habituá-lo desde cachorro ao toque, à trela e ao transporte reduz muito o drama de cada consulta.
Perguntas frequentes sobre o Shiba Inu
O Shiba Inu é bom para primeiro cão?
Costuma ser uma escolha difícil. Não é destrutivo nem barulhento, mas ignora ordens com naturalidade, foge se tiver oportunidade e não perdoa manuseamento à força. Quem tem experiência com raças primitivas dá-se bem; quem espera a cooperação de um Retriever fica frustrado no primeiro mês de treino.
O Shiba Inu larga muito pelo?
Larga pouco durante a maior parte do ano e imenso em duas alturas. Nessas três a quatro semanas o subpelo sai aos novelos e cobre roupa, chão e sofá, mesmo com escovagem diária. É pelo curto, o que ajuda a limpar, mas o volume é dos maiores num cão deste tamanho.
O Shiba Inu pode viver em apartamento?
Adapta-se muito bem. É limpo, discreto, ladra pouco e não precisa de quintal. O que precisa são duas saídas diárias com variedade e alguma exploração. A única atenção em prédio é o guincho quando é contrariado, que é agudo e chega aos vizinhos.
O Shiba Inu fica bem sozinho?
Fica melhor do que a maioria das raças pequenas, porque é independente e não desenvolve tanta dependência do tutor. Ainda assim, algumas horas é diferente de um dia inteiro, todos os dias. Deixe-o com exercício feito, nada perigoso ao alcance e uma ocupação para mastigar.
O Shiba Inu ladra muito?
Ladra pouco no dia a dia, o que é uma vantagem clara em prédio. Em contrapartida tem o chamado grito Shiba, um guincho agudo e prolongado que usa quando é contrariado, seguro contra vontade ou manuseado no veterinário. É pontual, mas é impossível ignorar.
Qual é a diferença entre o Shiba Inu e o Akita?
São ambos cães japoneses de tipo primitivo, mas o Akita é muito maior, mais pesado, mais reservado e bastante mais exigente em gestão com outros cães. O Shiba mantém a independência e o instinto de caça num corpo de dez quilos, o que o torna mais fácil de alojar e igualmente teimoso.
Onde ele pode voltar a ser cão.
No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Shiba Inu tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.













