Guia de raças · Spitz e tipo primitivo

Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia)

Um cão de guarda de dois quilos, com penteado de leão e voz de porteiro.

Por baixo do nome popular «Lulu da Pomerânia» está o Spitz Alemão, uma família de cães nórdicos com cinco variedades de tamanho, do Anão de dois quilos ao Wolfspitz de trinta. O que todas partilham é o mesmo carácter: alerta, vaidoso, alegre, muito ligado à casa e convencido de que a segurança do prédio depende dele. É um dos cães mais divertidos de treinar e um dos mais barulhentos de aturar, e o manto que lhe dá aquele ar de raposa de peluche é um compromisso para toda a vida.

Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia) adulto — spitz e tipo primitivo, porte miniatura a médio
Foto: Diane Armstrong · FAL (Wikimedia Commons)
OrigemBandeira de AlemanhaAlemanha
PorteMiniatura a médio
Altura20–49 cm (cinco variedades)
Peso2–30 kg (Anão: 2–3,5 kg)
Esperança de vida12–16 anos
PeloDuplo, longo e afastado do corpo · nunca se tosquia curto

Como é viver com um Spitz Alemão

É um cão de energia alegre e cabeça rápida. Gosta de aprender truques, de brincar e de estar no meio da ação, e tem uma expressão que faz metade do trabalho de conquistar as visitas. Com a família é afetuoso sem ser pegajoso; com estranhos é desconfiado à porta e sociável cinco minutos depois. Com outros cães entende-se bem, embora tenha o hábito pouco prudente de enfrentar cães muito maiores com toda a confiança do mundo.

O cachorro é uma bola de pelo que muda de aspeto de forma dramática: entre os quatro e os oito meses perde o pelo de bebé e atravessa uma fase feia, sem franjas e com o corpo à mostra, que assusta muitos tutores de primeira viagem e é perfeitamente normal. É também nessa altura que se instala o hábito de ladrar a tudo, se ninguém o gerir. O adulto é estável e bem-disposto, e mantém o gosto por brincar até bem tarde na vida.

Precisa de um tutor com sentido de humor e mão firme para duas coisas: a voz e o pelo. É um cão fácil de treinar e difícil de calar, e vive quase sempre em apartamento, onde ladrar tem consequências sociais. E precisa de alguém que aceite escovar um manto denso várias vezes por semana durante quinze anos, ou que tenha orçamento para o fazer fora de casa — sem nunca aceitar a solução fácil de o rapar.

O que um Spitz Alemão precisa todos os dias

Exercício. Trinta a sessenta minutos por dia, conforme a variedade: um Anão fica bem com dois passeios curtos, um Wolfspitz precisa de bastante mais. Gosta de andar e é mais resistente do que aparenta, e muitos fazem caminhadas de horas sem problema. No verão, atenção ao calor: o manto duplo isola, mas em Setúbal às três da tarde nenhum Spitz deve estar na rua.

Socialização e treino. É dos cães pequenos mais fáceis de treinar e dos que mais gostam de truques — aprende em poucas sessões e faz-se de artista. Vale a pena usar isso para o que interessa: ensinar-lhe a ladrar duas vezes e calar-se a pedido, habituá-lo a pessoas à porta desde cachorro e recompensar a calma quando ouve o elevador. Deixar o ladrar «passar» nos primeiros meses é o erro que mais estraga a vida em prédio.

Comida. Come pouco e engorda com discrição, escondido debaixo do pelo — só se percebe apalpando as costelas. Ração de raças pequenas, pesada, e prémios de treino descontados da dose diária, porque num cão que faz truques o dia inteiro as calorias somam depressa. Peso a mais num cão pequeno agrava rótulas, traqueia e coração ao mesmo tempo.

Pelo. Manto duplo, com um subpelo espesso que empurra o pelo de cobertura para fora e lhe dá aquele volume. Escovagem a fundo duas a três vezes por semana, diária nas duas mudas anuais, e sempre até à raiz — escovar só a superfície cria nós compactos por baixo. E a regra de ouro: não se tosquia curto. Rapar um Spitz pode fazer o pelo crescer irregular ou nunca mais voltar ao que era, além de o deixar sem proteção contra o sol.

Saúde. A alopécia X é o problema mais falado da raça: uma perda de pelo simétrica no tronco e na cauda, sem comichão, geralmente a partir do primeiro ou segundo ano, de causa hormonal mal esclarecida e sem tratamento fiável. Somam-se a luxação da rótula, o colapso da traqueia (peitoral obrigatório), a doença periodontal e, nos mais pequenos, a persistência do canal arterial. Ao criador pedem-se rótulas avaliadas, coração auscultado e pais com pelo normal.

Com quem combina o Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia)

Combina bem com

  • Apartamentos e vida de cidade, com passeios curtos e muita interação
  • Quem gosta de ensinar truques e de um cão participativo
  • Casas dispostas a escovar várias vezes por semana, todas as semanas
  • Quem quer um alarme muito eficaz num cão de colo

Pensa duas vezes se

  • Quem vive em prédio e não tenciona treinar o ladrar
  • Casas com crianças muito pequenas e brincadeiras desajeitadas ao colo
  • Quem quer um cão de manutenção mínima quanto ao pelo
  • Apartamento onde o cão fica muitas horas sozinho sem rotina

Antes de dizer sim

A voz

É das raças que mais ladra, e o som é agudo e atravessa paredes. Em prédio, o treino do silêncio começa na primeira semana, e não quando os vizinhos já se queixaram à administração do condomínio.

Nunca rapar

Tosquiar um Spitz curto para o «aliviar do calor» pode arruinar o pelo de forma permanente e deixá-lo exposto ao sol. O que refresca é escovar bem, retirar o subpelo morto e evitar as horas de calor.

Alopécia X

Perda de pelo simétrica no tronco, sem comichão, frequente na raça e sem tratamento fiável. Não é fatal nem contagiosa, mas muda o aspeto do cão — vale a pena conhecê-la antes de escolher a raça.

Perguntas frequentes sobre o Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia)

O Spitz Alemão ladra muito?

Sim, é uma das raças que mais ladra. Foi criado para vigiar quintas e casas, e avisa de tudo: o elevador, a porta do vizinho, um saco ao vento. Com treino do silêncio desde cachorro reduz-se muito, mas quem procura um cão calado deve escolher outra raça.

Qual a diferença entre Spitz Alemão e Lulu da Pomerânia?

São o mesmo cão. «Lulu da Pomerânia» é o nome popular da variedade Anã do Spitz Alemão, a mais pequena das cinco reconhecidas pela FCI, que vão do Anão de dois quilos ao Wolfspitz de trinta. O padrão é igual em tudo menos no tamanho.

O Spitz Alemão larga muito pelo?

Larga, sobretudo nas duas mudas anuais, em que o subpelo sai em tufos e aparece por toda a casa. Fora das mudas, a queda é moderada e controla-se com escovagem duas a três vezes por semana. Ainda assim, é bastante pelo para um cão tão pequeno.

Pode-se tosquiar um Spitz Alemão no verão?

Não se deve. O manto duplo isola do calor e protege a pele do sol, e rapá-lo pode fazer o pelo crescer de forma irregular ou não voltar a crescer bem. O que ajuda no verão é escovar a fundo para retirar subpelo, passear nas horas frescas e garantir sombra e água.

O Spitz Alemão é bom com crianças?

É brincalhão e tolerante com crianças que já saibam lidar com um cão pequeno. Com crianças muito novas, o problema é a fragilidade: as variedades pequenas magoam-se com quedas e apertos, e um cão magoado avisa com os dentes. Supervisão e a regra do cão no chão.

O Spitz Alemão é bom para apartamento?

É, e é aí que a maioria vive. Ocupa pouco espaço, adapta-se a passeios curtos e gosta de estar dentro de casa com a família. O único obstáculo sério é o ladrar, que num prédio tem de ser trabalhado desde o primeiro dia.

Já tem um Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia)?

Onde ele pode voltar a ser cão.

No Dog Eco Resort, em Quinta do Anjo, o seu Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia) tem campo, água, companhia e uma equipa que percebe de comportamento — para um dia, para as férias ou para aprender.

Há Spitz Alemães e cães com este perfil à espera em abrigos e associações. Um cão adulto tem o temperamento à vista — antes de comprar, vale a pena perguntar.

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